quinta-feira, 29 de maio de 2014

Rigor matemático




Ontem, ao fazer zapping, deparei-me com as contas que o canal do Real Madrid entendeu ter a obrigação de fazer quanto ao tempo perdido (isto é, não jogado e susceptível de compensação, pelo árbitro) na segunda parte da final da Champions. Com louvável detalhe, informaram-nos que, para os madridistas, ficaram por jogar 6.52mn (após os 90mn). A julgar por semelhantes cálculos, é caso para dizer que com um árbitro rigoroso, que em vez de uns míseros 5mn de 'descontos' tivesse indicado os devidos 7mn de 'extra-time', ter-se-ia, provavelmente, evitado o prolongamento.


P.S.: “[Na final da Champions] O coração levava-me a apoiar o Atlético, o David contra Golias; a cabeça dizia-me que o triunfo do futebol ultra-defensivo era contra tudo aquilo que eu defendo. Porque, não tirando mérito algum ao extraordinário desempenho de Simeone à frente do Atlético, o seu futebol, feito de intensa luta, intensa solidariedade, organização perfeita, capacidade táctica de sofrimento e resiliência, é um futebol pobre como espectáculo. Faz lembrar (a um nível obviamente diferente) o futebol do Sporting de Leonardo Jardim, ou o do Chelsea de José Mourinho. Levado ao extremo, com todos os jogadores a defenderam atrás da linha da bola, faz lembrar ainda, mais recentemente, a forma como o Benfica enfrentou e eliminou o FC Porto nos dois jogos da Taça de Portugal e no jogo da Taça da Liga ou como eliminou a Juventus em Turim. Naturalmente simpáticos e compreensivos para com as equipas mais fracas, os comentadores têm tendência a elogiar essa forma de jogar. Eu, que sou romântica e incuravelmente adepto do futebol de ataque (mesmo que feito com 40 passes, como o do Barcelona), não consigo, porém, entusiasmar-me com o estilo. Mesmo que a diferença de estatuto das equipas em confronto ou as circunstâncias do jogo me levem a compreender, ou até apoiar, esse heroísmo defensivo, sei bem que, a prazo, isso representa a morte do futebol. Pelo menos, do futebol que vale uma deslocação aos estádios”.

Miguel Sousa Tavares, A Bola, 27/05/14.


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