domingo, 8 de junho de 2014

A CATEDRAL QUASE VAZIA


Gostei muito, há semanas, da formulação do Professor Duque: o que temos são pegadas. Claro que ir em um caminho oposto ao das pegadas significa colocar em causa uma identidade formada na/pela Escritura. Todavia, não há como escapar ao facto de, não raramente, as pegadas (quase) nos parecerem contraditórias. O esforço hermenêutico uma exigência, portanto, em permanência. O temos fé a mais, de Halík, é isso: a denúncia de uma leitura mágica da (divina) palavra. Como, com maior ou menor elaboração, com formulações múltiplas, ou só com um mal-estar de compreender que o guião não está à nossa frente para em tudo nos determinar, muitos abandonaram a catedral, como se o esforço fosse demasiado, ou vão, e a incerteza, dúvida, descrença, o tal relativismo fossem mais fortes, ou as conclusões, lógicas, a tirar. Não são. Mas o caminho é de pedras, lá isso é. Cá do sítio de onde sou, foi-se, de facto, o tempo do calor imenso – e quem passou pelos dias solares e encantados não pode deixar, por vezes, de entristecer com a temporada quase gélida que atravessamos.


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