terça-feira, 24 de junho de 2014

A corrida ao 'ambientazo'





Não sendo um aficionado de desportos motorizados, com gosto vejo uma parte da comunidade local empolgada com as corridas, recebo, satisfeito, as notícias, algumas com chamada de capa em jornais nacionais (JN e I; este último, fazendo do tema destaque no suplemento de lazer e cultura), que dão conta de hotéis cheios na região e, portanto, dinamização da actividade económica no concelho.
Na sexta à noite, desço, no entanto, ao povoado, procurando sentir o pulsar da cidade, face ao fim-de-semana gordo que aí estava. Ora, nesse contexto, foi com alguma surpresa que dei conta, dez e meia-onze da noite, como o centro histórico permanecia desértico, a Avenida Carvalho de Araújo despida de gente, o Pioledo desabitado como desde há uns anos. Talvez, no futuro, se possa fazer algo para integrar a cidade toda no espírito de uma desejada movida (patrocinada pelas corridas).
Lembrei-me, então, desse local a que sempre regressamos, a infância, e do modo como a sexta-feira à noite, na avenida principal, juntava os aventureiros dos speeds no limite, dos cavalinhos loucos, das manobras perigosas que amedrontavam tanto quanto atraíam, do ron…ron histriónico até à chegada, inevitável, da polícia de choque, tropa que encerrava, pois, a noite inicial das festividades. Estava criado, pois, como dizem os espanhóis, o ambientazo para os dias seguintes.
Como gerá-lo, em tempos diferentes dos do início dos anos 90 – por exemplo, a polícia de choque aparecia, em vários locais, pelo país, com uma frequência e assiduidade que hoje seriam impossíveis, porque a sociedade e seus valores são outros -, eis a questão.


Sem comentários:

Enviar um comentário