segunda-feira, 16 de junho de 2014

Ainda Thomas Picketty (V)


Não deixa de ser relevante tomar nota do que um ex-membro da direcção do PSD, liderada por Manuela Ferreira Leite, escreve sobre 'O capital no século XXI': "no cômputo geral, considero este trabalho iniciador de uma nova abordagem, extremamente promissora, para além de contribuir para recentrar o debate público em torno do tema da desigualdade, a partir de um sólido estudo teórico e empírico" (Pedro Braz Teixeira, I, suplemento Liv, 14-15/06/14, p.7).
No mesmo texto a partir do qual reproduzimos o excerto vindo de mencionar, Braz Teixeira volta a alertar , ele que havia escrito uma obra sobre a queda do Euro, para "o fim do euro, que poderá ocorrer nos próximos tempos, também deverá provocar uma substancial queda da riqueza em praticamente todos os países da zona euro, inclusive na Alemanha".
Depois, uma lição histórica sobre a desigualdade: "A excepção foi o período das duas guerras mundiais, em que os mais ricos sofreram proporcionalmente mais, e o pós-guerra até aos anos 80, em que a intervenção pública também contribuiu para limitar a desigualdade. A partir daí, o liberalismo defendido por Thatcher e Reagan e amplamente copiado trouxe um grande aumento da desigualdade".

No trabalho do I sobre a obra do autor francês, destacar, ainda, a afirmação de Zizek de que "Piketty aceita, como bom keynesiano, que o capitalismo é a única possibilidade", frase que coloca em crise o rótulo de marxista a um autor que confessa nunca ter lido O capital e que neste livro vai à literatura, Jane Austen ou Balzac, buscar ilustrações da desigualdade (na história).


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