quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cristianismo e cultura (relações)



Ao fenómeno da complexa relação entre fé e culturas chamamos inculturação da fé.  Em realidade, a fé está sempre situada historicamente e articula-se em (dados) contextos culturais. Nas culturas marcadas pela interpelação cristã, estas, efectivamente, não existem sem certa presença da fé, pelo que “a inculturação da fé pode ser considerada evangelização da cultura”[1], assumindo, neste âmbito, um dinamismo constituído por momentos de crítica (atitude profética) e de acolhimento (atitude sacerdotal)[2]. Se o cristianismo não é (exactamente) idêntico a nenhuma cultura e, portanto, se deve constituir como instância crítica, ruptura e proposta cultural diversa, em responsabilidade profética, todavia, e simultaneamente, impõe-se-lhe divisar elementos positivos em uma cultura em que se insere, rejeitando o puro anátema ou a propensão para um elitismo de tipo gnóstico (ainda que sempre de sobreaviso para o perigo de uma fusão cultural que obnubilaria não apenas o específico cristão, como resultaria em uma ausência de distanciamento e crítica que, por certo, prejudicial se tornaria à cidade e aos humanos que a habitam).


[1] J.M.DUQUE, A historicidade do caminhar na fé, in AA.VV., A fé da Igreja, Paulus, Lisboa, 2014, p.272.
[2] IBIDEM.

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