domingo, 22 de junho de 2014

E o Porto aqui tão perto





Rui Moreira: Eu disse ao que vinha: a cultura é decisiva para o desenvolvimento da cidade.
[No anterior mandato] Não havia um pensamento estratégico em relação à Cultura e ao que ela representa.

Visão: O Porto está na moda. Existe o risco de a cidade se transformar numa espécie de Disneylândia?

Rui Moreira: É um risco real. Particularmente no centro histórico. Não podemos deixar que o turismo e actividades conexas espantem as populações e interfiram com a vida das pessoas. Mas ainda estamos muito longe de chegar à capacidade máxima do Porto, em termos turísticos. Temos de trabalhar outras realidades para os turistas: Miguel Bombarda, Cedofeita, os vários Portos que existem dentro da mesma cidade.

(…)

[O voto em Marinho e Pinto] É um voto de protesto, não é replicável nas legislativas.

(…)

O verdadeiro acto anticonstitucional foi o acordo com a troika. A sua assinatura suspendeu, de alguma maneira, as funções da Constituição. E isso devia ter sido dito na altura pelo Presidente e pelos partidos que assinaram o pacto. Os próprios juízes [do Tribunal Constitucional] podiam ter chegado a essa conclusão. Tinha sido um jogo aberto com os portugueses.

(…)

Pessoas que dizem que quem recebe RSI não quer trabalhar, que os funcionários públicos têm emprego para a vida…Incomoda-me uma sociedade que se baseia no confronto entre «eles» e «nós». Pessoas que reconheciam alguma coesão social alinham nesse discurso. Está a criar-se território para o populismo.



Entrevista conduzida por Miguel Carvalho, Visão, nº1111, 19 a 25 de Junho de 2014, p.31-36.


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