domingo, 1 de junho de 2014

Ideias feitas, contraditório


Uma das coisas que por estes dias se pode ouvir dizer acerca de António José Seguro, nomeadamente em comentadores situados à direita do espectro político português, é que mau grado este ter estado contra tudo o que o Governo propunha, o resultado é uma grande desconfiança do eleitorado na sua liderança. Na verdade, Seguro não esteve contra tudo, não divergiu sempre do Executivo e, mais do que isso, assentiu em três momentos da maior relevância e controvérsia, a saber: a) principal mudança no código de trabalho nestes três anos; b) tratado orçamental; c) reforma do IRC.
Não deixa de ser, aliás, extraordinário que um homem tido como pertencente a uma ala direita ou mais centrista do PS, como António Vitorino, diga no programa Estado da Nação, da TSF/DN, que um dos pontos críticos da actual legislatura foi a mudança no mundo do trabalho, o instituído “desequilíbrio em favor do patronato e em detrimento dos interesses dos trabalhadores” – que “eu não acho que interesse nem aos patrões, nem aos trabalhadores” - e um Seguro pretensamente 'bota abaixista' e, possivelmente, mais à esquerda não se tenha manifestado contra tão negativa mutação.
Se, como propõe Vitorino, um urgente novo contrato social a construir na próxima legislatura tem, obrigatoriamente, de resolver este problema maior, estará Seguro em condições de o promover? Se a resposta a esta pergunta for negativa, tal terá derivado de o líder socialista ter estado, em tudo, contra o actual Executivo?


Sem comentários:

Enviar um comentário