domingo, 22 de junho de 2014

Mundial 2014: segundas notas




1.Só quem não viu o que a Inglaterra jogou neste Mundial pode continuar a dizer que no futebol não há injustiças. Os ingleses marcaram presença em 180 (Inglaterra-Itália e Inglaterra-Uruguay) dos melhores 360 minutos deste campeonato do mundo (os restantes 180' ficam a dever-se ao Espanha-Holanda e ao Brasil-México). Em definitivo, a selecção inglesa deu muito mais ao futebol do que dele obteve (futebol ofensivo, busca da baliza adversária, boas jogadas e ocasiões em troca de...duas derrotas).

2.Em sentido inverso, a Argentina teve excessivo prémio para o futebol apresentado (confusão táctica, anarquia, ausência de ideias e de ligação de jogo...e duas vitórias).

3.A época 2013/2014 acabou por ser madrasta para o grande Steven Gerrard: fatídico o passe que isolou Demba Ba, no Liverpool-Chelsea, de final de época, na Premier League, hipotecando, em boa medida, as condições para os reds vencerem o título; fatal o toque de cabeça que colocou em jogo Luís Suarez e possibilitou o 2-1 ao Uruguay que eliminou - em conjugação com o Costa Rica-Itália -, assim, os britânicos. Nunca Gerrard terá integrado tão boas equipas: no clube e na selecção.

4.Se houvesse justiça no futebol, Suarez seria bola de ouro (uma ideia que repesco). Di Maria estaria num lote restrito de seleccionáveis como um dos melhores do ano, no qual caberiam Sterling ou Sturridge.

5.Há jogadores que, mesmo não estando, longe disso, nos níveis ideais do ponto de vista físico conseguem, ainda assim, grandes e decisivas performances: veja-se Suarez frente à Inglaterra.

6.Mal o Uruguay regressou ao espírito guerreiro, faca nos dentes, antes quebrar do que torcer os resultados estiveram à vista. Repita-se: uma identidade não se negoceia.

7.Quando, em vez de Xavi, para o jogo com o Chile, Vicente del Bosque apostou em Pedro Rodriguez, o que fez, a meu ver, foi estimular aquilo que a natureza decisiva do encontro e a pressão da goleada prévia, por si só, gerariam nos jogadores: vontade de chegar muito rapidamente à baliza contrária; futebol mais directo; pouca paciência. Eis como táctica e modelo de jogo e psicologia/comportamento podem ligar-se umbilicalmente: em vez de um futebol de posse, passe curto, toque, cadência susceptível de gerar (auto) confiança, a opção por um futebol mais vertical, directo, com Pedrito - diferentemente, a substituição de Xavi por Koke, por exemplo - a adicionar a Diego Costa foi propulsora de uma perda mais rápida de bola, controlo pelo adversário e aproveitamento deste das fragilidades espanholas. Ligação entre táctica e psicologia-comportamento de jogadores algo que se aprendia quando Mourinho, falando da periodização táctica, ensinava futebol (em vez de se perder em frases espúrias).

8.Estou em crer que Del Bosque não permanecerá no comando técnico espanhol. As primeiras reacções da imprensa e público espanhóis foram muito positivas, mas as segundas - vide, p.ex., a Marca deste Domingo - nem tanto. Cruel, o jogo desfere golpes mesmo em cavalheiros. Del Bosque não aceitará ser tratado como o estorvo e sairá.

9.Tostão escreveu na Folha de São Paulo aquilo que um verdadeiro amante do futebol não pode deixar de subscrever: "O Barcelona e a Espanha deram uma enorme contribuição ao futebol mundial. As grandes selecções e times incorporaram muito o estilo bonito e eficiente dos espanhóis e acrescentaram vários detalhes importantes. Essa mistura é a razão do excelente futebol que vemos hoje na Copa. Espanha, obrigado! Arrepiei muito ao ver tantas belas partidas. Te aplaudo de pé" (o artigo pode ser lido aqui). A ligação Barcelona-selecção espanhola fica, uma vez mais, identificada, em tributo a Pep Guardiola.
Um outro testemunho, de Camoranesi, pode ser escutado aqui.

10.O fim do tiki-taka? Quando vêm a sucessão de passes da selecção alemã, cuja opção estrutural (plano A) é jogar, pela primeira vez, sem ponta de lança fixo é nisso que pensam?

9.Tostão escreveu na Folha de São Paulo aquilo que um amante do futebol, quem gosta mesmo do jogo, não poderá deixar de subscrever, sobre La Roja: "O

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