domingo, 22 de junho de 2014

Para guardar. Uma edição histórica do "Público"




Com o Público de hoje, um documento histórico: "A história nunca contada dos portugueses nos campos de concentração". A juntar ao P2 deste Domingo, o do próximo, que completará uma investigação (jornalística) de nove meses. Acho que se fosse adolescente e estivesse a inteirar-me, pela primeira vez, das questões da II Guerra Mundial e dos campos de concentração também ia gostar de ter este documento original. Documento para cidadãos e pais guardarem. Nessa altura, ficaria a saber que dezenas de meus compatriotas "foram transportados para os campos de concentração e alguns morreram lá". E impressionar-me-ia com "um destino ignorado pelo seu país, esquecido por membros das suas famílias, desconhecido dos portugueses. Quase 70 anos depois do fim da guerra, as suas histórias são finalmente contadas". Pelo trabalho de Patrícia Carvalho (texto) e Nélson Garrido (fotografia). 
A interrogação sobre os portugueses nos lager foi "uma pergunta que até há pouco tempo não se fazia". Aliás, "no ITS (International Tracing Service), Renate Broker, que há 20 anos ajuda a reunir famílias ou a desenhar as histórias perdidas dos que morreram nos campos de concentração, garante nunca ter tido um pedido de informação vindo de ou sobre Portugal".
Na procura de respostas aos motivos deste esquecimento - só ligeiramente mitigado pelo projecto que Fernando Rosas pretendia empreender sobre o tema, ou referências não desenvolvidas por Irene Pimentel nas suas obras sobre Portugal e o holocausto -, em Editorial o Público encontra num escrito de Diogo Ramada Curto, em Para que serve a história?, a mais funda razão de tamanha negligência: "Apesar da pobreza dos debates, parece existir em Portugal um mercado bem consistente para a História de Portugal. Centrado quase exclusivamente na produção de bens nacionais - ou seja, numa historiografia feita por portugueses sobre a sua nação e, se tanto, o seu império , tal mercado confunde-se com a expressão de sentimentos difusos de uma nostalgia pelas grandezas do passado". Conclui o Público: "nada disso existe nas histórias dos portugueses mortos nos campos nazi. Grandeza só houve na medição do horror".
São as histórias de Luiz Ferreira, Acácio Pereira, Maria d'Azevedo, Michael FrescoDuarte da PaixãoAugusto José Rodrigues...


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