quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paradigmas comunicacionais (II)


Mais do que um misto de ferramenta e espelho, o computador proporciona “novos modelos da mente” e a internet, em particular, está a alterar “a forma como pensamos, a natureza da nossa sexualidade, a organização das nossas comunidades e até mesmo a nossa identidade” (Turkle, 1997,11). O contexto da internet é o da “erosão das fronteiras entre o real e o virtual, o animado e o inanimado, o eu unitário e o eu múltiplo” (Ibidem, 12); “inventamo-nos a nós mesmos à maneira que progredimos”. Se, tempos pretéritos, se concebia que os computadores expandiam a presença intelectual de alguém, hoje considera-se, igualmente, a dimensão física nesse prolongamento do estar-aí pessoal. Mais, ainda: “as velhas distinções entre o que é especificamente humano e o que é especificamente tecnológico tornaram-se complexas. Estaremos a viver a vida no ecrã ou dentro do ecrã?” (Ibidem, p.30). Radicalmente: até que ponto não seremos já cyborgs, “misturas transgressivas de biologia, tecnologia e código de computador?”.

A partir de Sherry Turkle, A vida no ecrã. A identidade na era da internet, Relógio D'Água, 1997.


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