quinta-feira, 19 de junho de 2014

Paradigmas comunicacionais (IV)



O computador é procurado, não raramente, pelo humano como “máquina intimista”, “objecto no limiar entre o eu e o não-eu”, na medida em que sendo, simultaneamente, “interactivo e reactivo, proporciona a ilusão da companhia sem as exigências da amizade” (Turkle, 1997, p.43). 
A internet poderá, adicionalmente, ser vista como um código hermenêutico da pós-modernidade:
em The Electronic Word, o professor de estudos clássicos Richard A. Lanham defende que o texto no ecrã, inacabado por natureza, subverte as fantasias tradicionais duma narrativa dominante, pois oferece ao leitor a possibilidade de alterar os tipos de letra, fazer zooms e reorganizar ou substituir porções do texto. O resultado é um objecto de trabalho activo e não passivo, um cânone que, em vez de petrificado na perfeição, continua volátil, ao sabor de motivações humanas contrastantes” (Ibidem, 25);

contributo para o apagamento/diluição entre (as concepções de) alta cultura e cultura de massas, primazia da superfície sobre o profundo, da simulação sobre o real, do lúdico sobre o sério. Terá, necessariamente, que ser assim?


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