quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paradigmas comunicacionais


Se o paradigma de inteligibilidade da comunicação assentou, durante algumas décadas, no último quartel do século XX, na pré-compreensão de Marshall McLuhan (1997) de que os media são a mensagem, isto é, todo e qualquer media induz comportamentos, e cria ligações psicológicas e mudanças de mentalidade nos indivíduos receptores, independentemente do conteúdo transmitido, já com Castells assistimos a uma mudança coperniciana, com a relação organizacional dos media actuais a ser entendida como baseada em «message being the media» (Castells, 2002), ou seja, os media são escolhidos de acordo com a mensagem que se pretende transmitir, sendo possível seleccionar o media que melhor se adequa à mensagem e à audiência a que se destina a mensagem (Cardoso, 2013, p.35). Passávamos, então, de um contexto em que os media são a mensagem para um outro de sentido inverso: a mensagem são os media. Hodiernamente, todavia, nova mutação comunicacional se nos impõe: os media precedem a mensagem (Eco, 2001), quer dizer, os canais existem antes de se saber o que se irá transmitir. A discussão sobre mensagem e media torna-se obsoleta, “porque uma vez que entra a mensagem na rede chegará ao destinatário e se o formato não for o indicado será recriada” (Cardoso, 2013, p.36).

A partir de Gustavo CardosoPara além da internet e dos mass media, em A sociedade dos ecrãs, Tinta da China, 2013.


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