domingo, 22 de junho de 2014

W.A.Mozart: Clarinet concerto in A major, K.622





Concluindo: nem sequer a música de Mozart constitui uma prova da existência de Deus, mas também não é, de modo algum, um convite ao pessimismo e ao niilismo. Pelo contrário, enquanto assiste à execução de uma peça musical, a pessoa sensível e disposta a ouvir talvez veja ser-lhe concedida, em determinados momentos, a possibilidade de se abrir à confiança razoável/suprarracional de que falámos. Então, com ouvido apurado, consegue perceber no som puro, não-verbal, totalmente interiorizado e ainda assim envolvente, algo completamente diferente: o som do belo na sua infinitude, mais, o som do infinito que nos transcende e para o qual «belo» não é a palavra adequada. Assim, a música é uma forma de entrar em consonância com uma harmonia superior.

Hans Kung, Aquilo em que creio, p.153.


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