quarta-feira, 27 de agosto de 2014

As pessoas concretas nas entrevistas políticas





Neste post, referi-me à estranheza de não ter encontrado acomodada na proposta global/moção estratégica de António Costa a indicação da forte aposta no aproveitamento dos fundos comunitários destinados à eficiência energética, com vista a, sem necessidade nem possibilidade de recurso a obras gigantescas, uma regeneração urbana que aproveitasse e mobilizasse forças daqueles que, com a falência da (área da) construção e sem a capacitação para, no imediato, ingressarem na NASA - a utopia prometida da actual legislatura - haviam ficado ao abandono e sem perspectivas próximas - ou até longínquas - de emprego. Esta ideia, avançada pelo edil lisboeta ao Público - naquela que foi, a meu ver, a sua melhor entrevista nesta pré-campanha eleitoral interna -, é, em realidade, recuperada no diálogo com Sérgio Figueiredo e Paulo Ferreira, no Diário Económico (de ontem). Sem que tivesse sido directamente perguntado sobre a matéria, é o próprio António Costa que a introduz na entrevista: "E, infelizmente, o novo ministro do Ambiente não tem tido o peso político que a sua trajectória prometia. Isso está bem expresso na forma como estão negociados os fundos comunitários e o baixíssimo nível do financiamento para a eficiência energética. Era um sector da maior importância, não só por todas as razões de eficiência energética, como também possibilitaria financiar um programa na área da reabilitação urbana que é absolutamente crítico para absorver muita mão-de-obra que está hoje desempregada" (p.9). 
Se, em vez de se concentrarem em soundbites mais politiqueiros para fazer manchetes de entrevistas políticas, quem as editasse e realizasse pensasse mais nos que vão ser alvo das políticas enunciadas ("o meu adversário é Rui Rio"); se o comentário encartado não repetisse, quase sempre (houve excepções, mas muito raras), os mesmos tópicos sobre candidatos ("nada os distingue", "não há ideias", etc.), então ter-se-ia notado a importância que Costa dava a esta política; como a vê impossibilitada de realizar pelo "baixíssimo nível do financiamento [comunitário] para a eficiência energética" (e, certamente por isso, a omitiu na sua moção) e assim, ainda, se perguntaria, em próxima entrevista, que será feito afinal, o que tem António Costa a dizer aos que seriam alvo/beneficiários desta regeneração urbana (que estará, deste modo, muito dificultada ou impossibilitada).


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