quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Politicamente incorrecto




“Mostrem-me uma grande obra que não tivesse sido escrita por fumadores”, provoca Wislawa Szymborska, dando como exemplo A montanha mágica, no documentário da NTV, sobre a poetisa, prémio Nobel da Literatura, nos anos 90, que a RTP2 passou há dias. Lá, onde os pequenos prazeres, as bugigangas, os grandes quadros de Vermeer, os cigarros, a febre pelo pugilista Golota – também um homem que escreve poemas, como quase todos os que sobem ao ring, curioso tópico do documentário -, a admiração por Woody Allen, Vaclav Havel, ou por uma cientista estudiosa de chimpanzés – casos de amores correspondidos, de resto - se juntavam em quintilhas – género cuja origem remontará à Irlanda – que, de modo ao mesmo tempo simples e profundo, nos levavam às questões que a todos inquietam. A menor das quais não será o apoio, entusiasmado e ignorante, a líderes que se revelam uma tragédia. Na juventude, Szymborska dedica poema a Estaline e diz agora, na ironia cortante que lhe sai, que o pior de tudo é que tal foi feito sem ser para uma promoção, uma progressão na carreira, um ganho material.

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