domingo, 31 de agosto de 2014

Portugal e o futuro





Imagine que Portugal sai do euro e que na segunda-feira entra em vigor o novo escudo. É este o ponto de partida do livro "A solução novo escudo", de Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral (...) A desvalorização da nova moeda pode variar entre 30% e 42,86%, a inflação chegará aos 10% pelo menos, os salários decrescerão no mínimo 6,5% e a forma de os compensar será uma redução do IRS, a reposição dos feriados e dias de férias perdidos, o aumento do salário mínimo e a subsidiação de medicamentos, transportes colectivos e energia. Os bancos podem ser fechados durante alguns dias e os movimentos de capitais serão controlados.

Nicolau Santos, em sinopse ao livro A solução novo escudo, apresentada no Expresso, 30/08/14, p.14


Expresso: E o que acontece aos depósitos?

João Ferreira do Amaral: A nossa proposta é que o Estado se substitua aos devedores na proporção que resulta da desvalorização, no caso em que seja possível um acordo com as autoridades europeias. Se tem um depósito de 100 e há uma desvalorização de 30%, os 30 serão suportados pelo Estado substituindo-se ao devedor. Isto para os depósitos manterem o seu contravalor em ouro, que é importante para o sistema bancário. Como é que o Estado se financia? Através de empréstimos junto do Banco de Portugal. Quanto aos empréstimos, as pessoas continuariam a ter o empréstimo com o seu contravalor na nova moeda, baixando o valor nos 30% em que o Estado se substitui. A taxa de juro dependerá da inflação. Isso é inevitável.

(...)

Portugal tem de reforçar o crescimento e a única forma é através da desvalorização cambial, do meu ponto de vista. A reestruturação da dívida pode dar algum alívio mas não resolve o problema. Os salários reais não têm de descer muito pronunciadamente e, em particular, o salário real disponível, isto é, depois de impostos, não tem de descer, porque haverá margem para reduzir o IRS. Mas isso é uma questão de opção política. A desvalorização interna é que tem incidido sobre os salários e pensões. É muito mais penalizante que uma desvalorização cambial.


Segundo o estudo destes dois Professores de Economia: 30% é a desvalorização mínima que terá o novo escudo no caso da saída de Portugal ter o acordo das instituições europeias. Sem acordo, será de 42,86%;
7,5% é a subida da inflação que resulta da desvalorização de 30% do novo escudo, mas a pressão de outros factores elevará este valor para pelo menos 10%; 6,5% é a quebra real que os salários terão por via da entrada em vigor da nova moeda que valha 30% menos do que o euro; 6 meses será o tempo necessário para produzir as notas de escudos e bastante mais para cunhar as novas moedas; 4 é o número de feriados (dois civis e dois religiosos) que seriam repostos de imediato, de modo a reduzir uniformemente na economia o tempo de trabalho não pago.

Entrevista e dados indicados por Nicolau Santos, Expresso, 30/08/14, p.14

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