segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Aborto


Uma das crónicas do Corriere della Sera, presente em A história não acabou, dedica-a o seu autor, Claudio Magris, a Norberto Bobbio. De entre os exemplos que recolhe do Professor de Direito, da "sua militância ético-política e sua presença generosa e criativa na vida cultural" conta "o seu testemunho apaixonado e lúcido da realidade da vida nascente e dos consequentes direitos do nascituro".
Não conhecendo eu os escritos de Bobbio sobre o aborto, a formulação de Magris não deixará de surpreender se alguém se fixar na mais comum posição à esquerda - e sabendo-se de tal filiação ideológica do grande académico italiano - nesta matéria. De resto, Magris insiste na crónica seguinte: "um grande laico como Bobbio criticou várias vezes a arrogância laicista, por exemplo, a propósito do aborto; se me é lícita uma nota pessoal, foi a partir de 1974 que, sobretudo no Corriere, exprimi repetidamente críticas análogas sobre essa arrogância". Isto, em um texto em que se debruça sobre as soberbas clericais e laicistas, voltando, neste último contexto, ao aborto: "um convencimento [uma auto-suficiência laicista] que põe no Index de um pretenso atraso todas as vozes dissonantes".


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