terça-feira, 9 de setembro de 2014

BES


Uma das principais sugestões de James K. Galbraith, Stuart Holland e Yanis Varoufakis em Proposta modesta para resolver a crise da zona euro assentava na capitalização directa, pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), dos bancos que dela carecessem: seria, então, pois, o MEE, e não os governos nacionais, a reerguer os bancos. O governo nacional poderia optar por renunciar ao direito de supervisão e resgate de um banco. O MEE e BCE nomeariam um novo conselho de administração. Reestruturado e recapitalizado o banco, o MEE poderia vender as suas acções e recuperar os valores mobilizados. Assim, "a supervisão bancária seria europeizada, o laço entre dívidas soberanas e perdas dos bancos seria rompido e cessariam as relações demasiado 'amigáveis' (e frequentemente problemáticas) entre os dirigentes nacionais e os banqueiros no interior de um mesmo país, o que permitiria que a recapitalização dos bancos fosse operada à escala europeia" (p.108, A dívida pública portuguesa. O manifesto dos 74 e as propostas europeias para a reestruturação). Resolver questões como a do BES não se esgota numa dimensão de polícia ou de justiça, mas passa, muito, também, pela política. Galbraith, Holland e Varoufakis ensaiaram soluções sem rupturas de tratados ou saltos institucionais (ou de arquitectura institucional) demasiado ousados.


Sem comentários:

Enviar um comentário