terça-feira, 9 de setembro de 2014

Confessar


Há momentos dilacerantes da Confissão, de Tolstoi, que evocam, imediatamente, As Confissões, de Agostinho:

Não consigo recordar estes anos sem horror, repugnância e dor no coração. Matei pessoas na guerra, convoquei outras para duelos a fim de as matar, joguei a dinheiro; devorei os frutos do trabalho dos camponeses e puni-os; forniquei e pratiquei engano. Mentiras, roubos, promiscuidade de todos os tipos, bebedeiras, violência, assassinato...Não havia crime que não cometesse, e ainda assim era louvado por tudo aquilo e os meus contemporâneos consideravam-me, e ainda consideram, um homem relativamente moral.

Lev Tolstoi, Confissão, Aletheia, 2014, p.14.


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