domingo, 14 de setembro de 2014

Da família


O Sínodo dos Bispos reunirá, em Outubro próximo, em Assembleia Extraordinária, dedicado ao tema da família (após a consulta feita, a expresso pedido do Papa Francisco, à ecclesia, sobre o seu sentir, pensar, conhecer acerca da matéria, ou, melhor, de um posicionamento cristão neste âmbito). Só, contudo, na reunião ordinária, de 2015, serão tomadas decisões de foro pastoral, no contexto da problemática em apreço. O instrumento de trabalho (instrumentum laboris) preparado para os debates deste Outono, há cerca de dois meses conhecido, é um documento muito interessante. Muito em particular, agradou-me, de sobremaneira, o modo como vejo plasmada neste texto a realidade das nossas comunidades católicas, no sentido em que se reconhece, expressamente, não apenas a ignorância confessada de muitos católicos sobre as orientações, e seus grandes documentos, propugnadas pela Igreja (seu magistério) relativamente à família, como, por consequência, se assinala a desconformidade entre doutrina e práxis (católicas), e, não menos relevante, se assinala a existência de pastores não tão preparados quanto se exigiria para transmitir, de modo adequado, a visão cristã da família. Só partindo de um diagnóstico adequado e fiel à verdade - não idealizado, pois - se podem construir caminhos de futuro. O desconhecimento, mas a vontade de a ele pôr termo, das escrituras (sagradas), com trabalho feito, a este nível, ao longo dos últimos anos, outra nota a reter. Um segundo sublinhado: o documento assinala, com atitude adequada aos tempos, que "só uma Igreja compreensiva e compassiva" pode acompanhar as novas realidades familiares, recusando-se deste modo uma postura de soberba que em nada beneficiaria o humano (sem que, com isto, se deixe de afirmar o modo mais verdadeiro de conceber a família). O modo como, hoje, em não poucos casos pode suceder serem os filhos a evangelizar os pais, dá conta das mutações operadas nas últimas décadas. Em um documento no qual se pode apreender da catolicidade da Igreja, isto é, da sua universalidade, não deixa de ser muito interessante observar a diferença de tradições e costumes em várias regiões da Terra: para dar um exemplo, as relações ad experimentum - que, aliás, a Ocidente, não raramente tendem a cristalizar-se nesta situação - são como que quase desconhecidas a Oriente, ou em diferentes pontos de África.
Em matérias que dariam e darão, com certeza, lastro à investigação, pedindo de empréstimo a outras áreas do saber está a manifestada dificuldade, identificada neste articulado, do reconhecimento, em nossa época, do "direito natural". Em especial, solicita-se o aprofundamento - em apropriação contemporânea - do conceito "ordem da criação".


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