sábado, 6 de setembro de 2014

Do teatro




"A questão do teatro como arte tem sido sempre a de encontrar os meios justos para dizer e traduzir o que vivemos: o que tem lugar não se pode dizer com a língua que se fala vulgarmente - é necessário encontrar outras modalidades de palavras para dizer o que nos acontece colectivamente", escreve, na apresentação da peça [As confissões verdadeiras de um terrorista Albino], o encenador angolano [Rogério de Carvalho], para quem a excessiva verdade pode matar a representação: "Há actores que são tão verdadeiros, que pegam na pistola e a sua vontade é mesmo pôr uma bala no peito", graceja (...) "Nas minhas mortes, eles caem e levantam-se logo. O teatro não pode ser uma ilustração do que se passa na vida. O teatro é um jogo, é uma outra dimensão, é um outro discurso" (...) "Na altura, os colegas de economia perguntavam-me: tu andas a fazer teatro?! Essas pessoas, hoje, dizem-me: ai, fizeste tão bem, a mim tiraram-me a carne e deixaram-me os ossos"

Rogério de Carvalho, em declarações a Lúcia Crespo, no Weekend do Jornal de Negócios de 29/08/14, p.16.


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