domingo, 21 de setembro de 2014

Os novos terroristas





Achei interessante contrastar os pontos de vista de Leonel Moura e de Henrique Monteiro, apresentados, respectivamente, no Jornal de Negócios (12/09/14) e Expresso (13/09/14) acerca da motivação da integração de jovens ocidentais nos exércitos jihadistas que da Síria ao Iraque vão proliferando, confrontando-os com o que disse o português integrado no Estado Islâmico na curta entrevista ao Expresso da semana passada.
Assim, se Leonel Moura sustentava que, ao contrário de outros revolucionários, nomeadamente daqueles que há décadas se formavam, tributários de livros e de ideias que neles se tornaram vontades indómitas, móbil de uma acção a perpetrar custe o que custar, os actuais terroristas movem-se pelo puro gosto de matar, ali não há nada mais do que isso, faltam-lhe dogmas, ideologias, ideias puras a converter em práxis, Henrique Monteiro considerava que o vazio espiritual, o campo abandonado por uma sociedade que nega essa dimensão essencial ao humano, conduz muitos a procurar em versões religiosas hard, fundamentalistas, experiências significativas depois do deserto ocidental.
Em boa medida, lendo atentamente a dita entrevista, quase somos tentados a dar razão a ambos os autores: por um lado, porque, de modo explícito, o jihadista novo confessava ao semanário que gosta de “praticar desporto e matar”; por outra parte, porque a concluir a conversa, refere que não voltará para Portugal para uma cultura de “shoppings, cinema e futebol”. Sendo discutível, certamente, o conceito de “cinema” implícito nestas palavras, parece, contudo, claro que destas palavras sai um claro desencanto – um não preenchimento – com a oferta “cultural” (vital) que acha predominante onde vivia.

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