quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Terceiro Debate - Presidenciais Brasil 2014




O terceiro debate entre os candidatos às presidenciais do Brasil realizou-se no Centro de eventos do santuário nacional de Aparecida, com transmissão na TV Aparecida e, em simultâneo, em vários media católicos.
Talvez o mais curioso, e que nunca havíamos visto em debates do género, foi o facto de oito bispos da Igreja Católica terem colocado questões (previamente gravadas, com o próprio prelado) aos intervenientes da disputa eleitoral (em uma das partes do debate). Os temas sobre os quais questionaram foram:

Violência sobre jovens e o problema da droga; casamento homossexual; concepção da laicidade (por parte do candidato respondente); desigualdade social (1% dos brasileiros detém 50% da riqueza do país); educação (analfabetismo situa-se, no Brasil, em 9% da população brasileira acima dos 10 anos); comunicação/media (grau de regulação que o candidato pretende que exista); direitos humanos; a questão indígena.

No debate, aflorou-se o problema da existência de 34 milhões de brasileiros sem saneamento básico - a maioria das cidades brasileiras não tem tal saneamento. E, quando tem, “a colecta de esgoto” não é tratada. Crianças que vivem em cidades com ou sem saneamento têm resultados escolares diferentes (evidentemente, com melhores resultados daquelas que habitam em cidades com saneamento).

Discutiu-se a existência/manutenção do voto obrigatório, no Brasil. Duas forças político-partidárias presentes na discussão defenderam o fim deste voto obrigatório, embora a argumentação fosse muito pobre, alegando-se que assim as camadas mais desfavorecidas podiam ser alvo de corrupção (um argumento sem pés nem cabeça).

Calcula-se que 800 mil mulheres realizam aborto, anualmente, no Brasil. Os candidatos foram, também, perguntados sobre se pretendiam manter ou alterar a lei existente nesta matéria (existindo pontos de vista diferenciados neste âmbito, entre alguns dos candidatos).

Redução da maioridade penal foi outra das matérias introduzidas na conversação, sendo que entre formações partidárias com expressão não muito forte em inquéritos de opinião para as próximas eleições houve quem aderisse à ideia de que deve baixar a idade em que alguém deve ser responsabilizado criminalmente.

O Brasil tem cerca de 500 mil detidos. Há condições indignas nas cadeias. E este foi outro dos assuntos discutidos.

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