domingo, 14 de setembro de 2014

Uma certa ideia de cidade (II)




Na Viena de Zweig, há, sem embargo, a obediência absoluta, o professor na escola, o pai em casa, como valor supremo; a negação da juventude - no fundo, um espaço inexistente, sendo conformado por "aquela idade até estar maduro", maturidade, de resto, sempre por chegar, desconfiança de toda a força vital, que se impunha refrear; sexualidade reprimida, moral vitoriana estrita e estreita, muita hipocrisia, mulher sem corpo, casta, virgem, desconhecedora do desejo e da vida, “sexo fraco”, puritanismo extremado em jogo de criadas utilizadas para a educação sentimental dos adolescentes, muita prostituição pelas ruas, a horas diversas, doenças venéreas, sífilis, como os grandes monstros (reais). Nestas maneiras muito convenientes, neste completo predomínio do social sobre o demais, neste bas-fond tão diverso e longínquo do que a literatura e arte da época idealizam, é já da sociedade que Haneke coloca em cena em O laço branco, do germinar do ovo da serpente, que nos recordamos.


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