terça-feira, 21 de outubro de 2014

Livros e questionamentos


Uma terceira objecção. Se o conservadorismo, como ideologia, se define pela negativa – não apresenta uma doutrina, um programa, uma utopia -, como compreender a afirmação, no capítulo final da obra (Conservadorismo, de João Pereira Coutinho), de que o partido conservador (britânico), desde as origens, defendeu o estado mínimo? Argumentar-se-á que partido conservador e conservadorismo não têm de ser uma e a mesma coisa. Todavia, a claríssima apologia, pelo autor, desse back to basics, entendido como “conteúdo” que respeita melhor o pensamento de Burke e a verdadeira genética conservadora não estará, afinal, a definir, pela positiva o conservadorismo? De resto, um capítulo inteiro em defesa do governo Thatcher e de ideólogos como Hayek não permitirão conceber um corpus de ideias conservadoras (mas liberais)?

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