quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Mercados, computadores, bolsas




O que é que são os mercados?, perguntava, na Quadratura, de modo retórico, Pacheco Pereira, respondendo tratar-se, hoje, essencialmente, de grandes computadores, a grande infraestrutura a funcionar de per se. Parecia, em realidade, saído do penúltimo sixty minutes (CBS), o historiador, programa no qual se mostrava como as imagens de correctores, em bolsa, muito agitados, absolutamente frenéticos, é, em nossos dias, sobretudo, lendária, pertencendo a gigantescos dispositivos informáticos esse papel de pedidos e selecção de acções e títulos a subscrever. Fico, aliás, a saber, vendo aquela edição do programa norte-americano, que a velocidade com que hoje se fazem essas subscrições ultrapassa em três vezes a velocidade da luz. Todavia, o espectador é informado do pior do sistema: as corporações que para ganhar, com recurso à especulação, vantagem sobre o adversário, conseguiram, investindo somas astronómicas na rede informática, ganhar um milésimo de segundo - sem que, até determinado tempo, os players com os quais concorriam soubessem - que os coloca sabedores da instrução de compra de um outro agente e, desta sorte, de modo artificial subindo-lhe o preço que no momento em que o pedido é digitado é um e no instante seguinte, pois, é outro. Portanto, nunca a mão, sendo invisível por vezes, deixa de lá estar. O que, não sendo, pelos vistos, ilegal, à luz do ordenamento norte-americano, não parece curial no respeito pelas regras do jogo.

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