sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ninguém?





A argumentação do PM, esta sexta, no Parlamento, para o descalabro na colocação de professores para o presente ano lectivo, inovou face ao que já era conhecido. E cada inovação, neste plano, como sabemos e se confirmou, é de temer. Disse Passos Coelho que os erros cometidos se deram no âmbito de uma reforma - "e não por imobilismo". E que conquanto o erro fosse repudiado, a ninguém se ouvira contestação ao novo modo de colocação de professores, pois que este contrariava arbitrariedades e discricionariedades de anos anteriores.
Assim, pelos vistos, a) há justificação para os erros verificados (ocorreram em contexto de reforma); b) os erros, ou consequências destes podem, deste modo, ser lidos quase como "danos colaterais" (dentro da inevitabilidade que este governo associa a todas as medidas que toma, talvez também estes erros, no seu entender fossem, afinal, dadas as mudanças na forma de colocar professores, inevitáveis; o que parece mesmo inevitável, com este governo, é, com franqueza, a asneira); c) ninguém contesta o novo sistema ou modelo de colocação de professores.
Entre o espanto e a indignação, quem respondeu a perguntas como "já teve alunos surdos?", "já teve alunos autistas?", "já foi director de turma?" e sabe que as respostas são insindicáveis, em um sistema em que a opacidade e a possibilidade de fraude são bem reais, questiona-se em que país vive quem diz semelhantes coisas. Porque, em realidade, esta mesma possibilidade de fraude vem constatada, em diferentes periódicos, nas últimas duas semanas, no nosso espaço público; diferentes professores - certamente, todos os que responderam de modo fidedigno ao que lhes foi perguntado nos "subcritérios" - deram eco a estes consideráveis problemas, em múltiplas plataformas; os sindicatos fizeram saber que não subscreviam este novo modelo de colocação de professores e que, com todos os problemas, melhor seria, então, a contabilização de média de curso e/mais tempo de serviço. Toda esta gente é ninguém?

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