segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Politica (IV)


Não tenho a certeza de Piketty de que é mais fácil entendermo-nos nos princípios – que balizam a vida em comum, política, como o princípio da diferença – do que depois na sua operatividade. Creio, sobretudo, que não fará completo sentido a oposição da dimensão teórica de elaboração do(s) valor(es) (políticos) a primar(em) na cidade – ou, pelo menos, a sua não inteira consideração - face à definição prática das normas a vigorarem, na medida em que não subscreveremos regras das quais não compreendamos inteiramente os fundamentos; seremos persuadidos em um ou outro sentido na definição de regras que traduzam da melhor forma esses princípios ‘constitucionais’(eles mesmos tendentes a serem controvertidos) de acordo com a leitura que fizermos dele, da capacidade de lermos o fundamento último que lhes é inerente. Daí que tais achados filosóficos não sejam de somenos, e relevem bem mais do que parece. A confrontação partidária, essa argumentação pública a que alude o autor, tende a negligenciar o grau de complexidade e subtileza do argumento mais rebuscado (de um Rawls ou Sen, citados por Piketty) e, nesse sentido, não substitui aquele plano primeiro (de encontro ou achamento dos princípios ‘constitucionais’). O plano filosófico (político). Com que todos nos devíamos confrontar, em um inicial – e determinante – momento. Uma sociedade muito pragmática tende, de resto, a deixar de lado tais questionamentos mais densos e, por essa via, aliás, desemboca, não raramente, em escolhas que estão longe de assentar bem – quando não a postergar - à lógica/fundamentação que presidiu ao desenho (filosófico) ‘constitucional’.


Sem comentários:

Enviar um comentário