quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Política (VI)




Relativamente às pensões, o modelo de distribuição, em vez do de capitalização surge, depois da II Guerra Mundial, em razão do facto de que aqueles que - até por força de obrigação de lei, pensemos em anos como 1910 ou 1928, em alguns países, como em França, que impunham modelos de capitalização - haviam aplicado as suas contribuições nos mercados financeiros ficarem arruinados (na sequência da Grande Depressão de 1929). Se, hoje, a maior remuneração do capital face ao trabalho - facto que Piketty demonstra - poderia sugerir a tentação da deslocação, de novo, do terreno da distribuição para o da capitalização, a volatilidade e o risco, todavia, face ao ganhos possíveis, são 5 a 10 vezes maiores. Não compensa. Quando atentamos devidamente nesta factualidade, há, ainda, dois registos que nos vêm à memória: a) a defesa destes modelos de risco ainda há bem poucos anos, no nosso país, como que ignorando ou negligenciando os fortes factores volatilidade; b) algum desplante, por parte de alguns dos principais defensores do dito modelo, de se apresentarem, em nossos dias, como os campeões do anti-liberalismo (económico).

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