quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Política (VIII)




Formas de combater a austeridade (indica Piketty): a) tributação extraordinária do capital (por exemplo, taxa proporcional de 15%); b) inflação; c) austeridade. O Professor de Economia que pôs uma parte do mundo a discutir o seu livro, começa por realçar que os países emergentes têm uma dívida pública muito inferior à dos países ricos, em média. Depois, diz-nos que a tributação extraordinária do capital seria o mecanismo mais justo e eficaz de reduzir a dívida pública. Acrescenta que também aqui a progressividade devia ser garantida (por exemplo, 'fortunas' inferiores a 1 milhão de euros - muitos dirão: não se trata de fortunas - não seriam taxadas). Uma terceira observação é a de que, historicamente, foi o recurso à inflação a resolver problemas de dívida pública. Menos boa do que a primeira solução; preferível à última. Redução de dívidas públicas muito grandes como aquelas que existem em muitos países europeus, com recurso a políticas de austeridade implicam - para mais, com a inflação que hoje temos - muitas e muitas décadas a pagar (o exemplo britânico, também dado por Soromenho Marques em Portugal na queda da Europa, surge aqui como expoente de quase um século para compor a dívida, o que em uma democracia com as características que hoje temos parece muito difícil de suportar). O mais interessante neste desenvolvimento de Piketty é o chamar a atenção de que sendo a inflação um instrumento preferível à continuidade das políticas de austeridade, todavia ele não é isento de riscos. Se, no debate público, é obrigatório colocar todas as cartas na mesa - tem-se criticado, e bem, o modo como a solução para o ex-BES foi apresentada aos portugueses como inócua para os portugueses, quando hoje a própria ministra das Finanças vem dizer o contrário -, também importa registar, em modo de honestidade intelectual este ponto de Piketty: se, para uma redução drástica da dívida pública no imediato, uma taxa de inflação de 5% seria importante, a verdade é que em a esse patamar chegando não será fácil - não se sabe como - a controlar (pode fugir aos alquimistas). Mais: são as classes menos favorecidas a serem mais castigadas com uma inflação que se tornasse galopante. Sim, o perigo hoje é o inverso, seria bom um aumento da inflação, mas não há soluções sem risco.


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