quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Primeiro debate da segunda volta das Presidenciais Brasil 2014



Na noite brasileira de ontem, o primeiro dos debates da segunda volta das presidenciais entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, na TV Bandeirantes, foi marcado pela forte tensão polarizadora em torno de dois grandes temas (aliás, já esperados): a) o ataque, pelo candidato do PSDB aos casos de corrupção durante a legislatura vinda de findar, envolvendo o PT; b) a reivindicação das políticas sociais, pela candidata do PT, não apenas como realização do seu mandato, mas como algo que pode perigar às mãos do seu principal adversário. 
Se os dados estavam lançados, talvez o modo como os contra-ataques foram desferidos tenham surpreendido: a) Dilma acusando Aécio de levar para o governo de Minas "três primos, três primas, um tio e uma irmã" (Aécio negaria que alguma irmã estivesse nesse governo e acusaria o governo de Dilma de estar "manchado de lama"), além de citar o MP brasileiro apontando o mau uso de dinheiros públicos na governação de Aécio (na construção de um aeroporto em terrenos de um tio, um caso despoletado pela Folha de São Paulo); b) Aécio reclamando para o PSDB a paternidade do Bolsa Família e questionando, retoricamente, Dilma sobre se não é possível ir mais longe do que apostar nesta política "assistencialista" e "aí, sim" tirar as pessoas da pobreza. Com um governo 'tucano' garantiu que tal sucederá.
Em temas económicos, Aécio puxou por dados recentes que apontam para a quebra brasileira e enfatizou o problema da inflação; Dilma disse que "70% dos brasileiros ganham dois salários mínimos" e que o Brasil está na melhor situação "nas últimas três décadas" ao nível do emprego - em uma situação de "quase pleno emprego".
Num debate original, em que os candidatos se questionaram sem mediação e em que, assim, não puderam acusar jornalistas de, eventualmente, não introduzirem os temas certos, pois os temas foram aqueles que cada um quis. Aécio Neves que tem sido destacado pela postura sóbria e diplomática acusou Dilma de agressividade excessiva. O debate foi o programa mais visto, ontem, na tvbrasileira (os dez minutos que medeiam entre os 33' e 43', no vídeo acima postado, são os mais intensos deste frente a frente...a olhar sempre para a câmara).
A questão da baixa da idade de imputabilidade penal (até ao momento nos 18 anos), bem como a flexibilidade ou liberalização do mercado de trabalho dois pontos defendidos por Aécio na primeira volta, mas que o apoio de Marina colocou em causa - dado que esta sujeitou o seu apoio a um caderno de encargos, em que tais questões eram apresentadas -, a ser interessante de ver, em futuros debates, se permanecem na agenda para a próxima legislatura

Sem comentários:

Enviar um comentário