quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Às segundas, no Teatro




A história de Sanfur/Esaú e do beco sem saída em que uma geografia parece transformada - para quem quer o rosto humano, acima das ideologias totalitárias. Para ver em díptico com Omar, Belém sublinha a máscara, o jogo ambíguo presente na persona, a dificuldade em acreditar no outro, em terra de desconfiança permanente. Sem individualidade, os habitantes arrancados desde a infância ao controlo e à chantagem do agente israelita, ao fanatismo do Hamas, ao apetite do AlAqsa. A identidade individual é, aqui, um lugar estranho, quando tudo sucumbe ao poder da manipulação idolátrica de uma nação, de uma religião, de um partido. A história de Esaú é a da utopia que ainda é gostar de pessoas. Mais trágico ainda - ou, pelo menos, quase despido de momentos delicodoces -, do que Omar, o filme aponta o fracasso absoluto - a escolha entre matar e matar - da sacralização de uma cultura - que cumpre secularizar. Em respeito, afinal, pelo fundamento último da secularização, o que permite estabelecer, precisamente, a distinção entre o sagrado e as falsas divinizações.

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