domingo, 9 de novembro de 2014

Sociologia na escola


A moda, os valores prevalecentes, percebem-se mais facilmente, mais imediatamente na rapaziada. De um ano para o outro, na escola, entre os mais novos, há preferências que mudam, precisamente porque não estão destinadas a permanecer: Justin Bieber ou a piradinha deram lugar, este ano, a Anselmo Ralph
O que não se altera, desde há bastante tempo, creio, são os sonhos (pelos quais puxo): ser rico, ser rico, ser rico é a resposta que ouço, sucessivamente, aqui e ali temperada por um ir à televisão e, muito minoritariamente, ser escritor, ou ser pintor
Sabem bem menos de inglês do que se julga, os nossos mais novos. Querem ser médicos. Em meios mais desfavorecidos, há muitos futuros polícias, por exemplo (dizem eles hoje).
Uma minoria frequenta uma escola de música. Há muitos que não têm facebook. Não há assim tantos pais a adormecê-los com histórias (de encantar). Há quem esteja num clube de basket e conheça de cor os nomes dos principais jogadores da NBA sem nunca os ter visto jogar - a elitização dos direitos de transmissão televisiva tem as suas consequências. São, ainda, adeptos dos Bulls, por causa de Michael Jordan. Querem jogar futebol no Real Madrid, apesar de serem portistas e benfiquistas. Tratam por tu, por vezes, o professor, mais respeitosos os de longínquas paragens. A diferença rural/urbano é bem marcada na qualidade dos equipamentos escolares. Há dias, em uma escola de Bragança, fiquei orgulhoso pelo modo como, às vezes, gastamos o dinheiro dos impostos: uma escola com uma biblioteca excelente, ampla, enorme, com materiais e aproveitamento da energia solar a aquecerem os ambientes, vários locais para alunos estudarem ou conviverem, com desenhos dos principais escritores a tutelarem, magnificamente, os espaços, cortiça e outros materiais a contribuírem para a amplificação da voz do professor sem necessidade de gritos e berros. Não, não é um luxo: é dinheiro bem gasto. Ir às periferias: entre o imperativo - os que mais precisam de ser puxados para cima - e a quase impossibilidade - a sala de aula tornada em um local de desatino - eis o dilema, não minúsculo.

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