segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um moderado


Para a história dos últimos três anos da vida nacional, ficará o registo de um Ministro da Administração Interna que recusou frondas, nem cavalgou ondas que prometiam vagas de fundo de um país contra o outro. Vagas imaginárias, de resto, perigosas, além disso. Moderado e sensato, Miguel Macedo soube perceber que à violência social das políticas implementadas não se respondia com outra violência, cujos efeitos, aliás, poderiam ser explosivos. Não precisou de mostrar um músculo verbal desaconselhável para cativar o respeito dos portugueses, quando alguns reclamavam exibições de força. Foi factor de paz social, o que não é dizer nada pouco nos tempos que correm. Escrevi aqui, à época, quando os protestos saíam mais frequentemente e com mais intensidade às ruas que Macedo poderia vir a contar no pós-Passos. Este seu gesto, até por contraste com muitos dos seus até agora companheiros de Executivo, não desmente - à falta de conhecimento de eventuais dados outros que possuam gravidade política ou penal - o prognóstico.

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