sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2017


Vamos para o 9º ano consecutivo em crise. A Europa, regista Vítor Bento, foi a pior região do mundo a responder aos idos de 2008. No Velho Continente, a palavra à Alemanha: a aposta continuada no modelo de poupança mais exportações, gerando sucessivos excedentes comerciais poderá ter consequências de maior. Paulo Rangel olha para a Comissão Europeia e faz notar que enquanto a Comissão Barroso abriu procedimento à Alemanha por tais excedentes, a Comissão Junker travou-o. O modelo alemão, aparentemente racional e maximizador das contas germânicas, no curto prazo (pelo menos) vai ser continuado mesmo depois das eleições do próximo ano, garante Nuno Garoupa. A ser assim, adverte Silva Peneda, a Europa será levada à desintegração. Vítor Bento realça, a propósito, que o excesso de poupança, alocada a determinados produtos financeiros, pode gerar nova crise financeira. António Barreto constata que, hoje por hoje, a Europa já "não é um bem maior, mas um mal menor". E de aí três linhas, separando as àguas dos olhares para 2017: "os optimistas acreditam que a esperança é a última a morrer, que tudo vai correr bem, que há sempre quem salve os povos das catástrofes e que a razão e o bom senso acabarão por imperar. Para eles, a Europa vai ressuscitar ainda mais forte"; "os pessimistas pensam que vivemos o crepúsculo da grande civilização ocidental, cristã, europeia, industrial, liberal e democrática. O que vier a seguir não será bom"; finalmente, "os cépticos admitem que uma solução razoável possa, em última instância, surgir e ser perfilhada pela maioria dos europeus, mas que será apenas a menos má das saídas da crise. A grande Europa está condenada. A Europa será uma solução de recurso (...) E perceber que ou há refundação, seja com quem for, ou há funeral". Augusto Santos Silva sublinha o trágico de para combater a crise se terem posto em prática políticas de austeridade.

[a partir da edição especial, comemorativa dos 153 anos do DN, 29/12/2016]

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