sábado, 8 de abril de 2017

Agricultura portuguesa

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Nunca Portugal produziu tantos produtos agrícolas como actualmente. Ao longo dos últimos anos, o défice alimentar - a diferença entre o que consumimos e o que importamos - tem vindo a ser reduzido a um ritmo de 400 a 500 milhões de euros ao ano. Se à agricultura somarmos as pescas, a silvicultura e a indústria agro-alimentar, as nossas exportações já cobrem cerca de 87% das nossas compras ao exterior. E este défice continua a diminuir. Segundo um estudo do Fórum para a Competitividade, Portugal poderá atingir a suficiência alimentar em 2020, algo que nunca aconteceu na história recente. O mesmo estudo admite que, se a tendência se mantiver em 2027 o país poderá ser excedentário na alimentação em 10 por cento.
A dar força a este fenómeno estão os números do Instituto Nacional de Estatística. Nos últimos seis anos, as exportações de produtos agrícolas produzidos em solo português aumentaram mais de 40%, passando de 2,4 mil milhões de euros, em 2012, para 3,4 mil milhões de euros em 2016. Mais. Ao longo dos últimos cinco anos, o aumento da produção agrícola foi superior ao crescimento económico do País. Números que apenas são atingidos graças a uma nova geração de agricultores, mais dinâmica, inovadora, virada para os mercados internacionais. Apostam nas plantas que amadurecem mais cedo em Portugal, para poderem vender ao estrangeiro a um preço mais vantajoso, e na diferenciação. (...) Demorou décadas para ser construído. Foi chamado de Elefante Branco mas, passados quase 20 anos, os efeitos do Alqueva na agricultura nacional são não só visíveis, mas também estruturantes. Concebido para irrigar cerca de 110 mil hectares, o projecto já alcança 120 mil. E poderá chegar no futuro a mais 47 mil. Porquê? Porque, quando se fez a obra, a previsão era de um consumo de água de 6 metros cúbicos por hectare, pois pensava-se que as grandes apostas dos agricultores iriam ser as culturas tradicionais de regadio, como o tomate, arroz e milho. No entanto, a cultura predominante na região acabou por ser a oliveira, que necessita de menos água (...) O País colhe agora, quase em pleno, os frutos da construção desta barragem. E não são apenas os portugueses que ali investem. Há muitos espanhóis, holandeses, americanos, belgas, entre outros, que querem entrar na agricultura nacional. Os campos de trigo de sequeiro, com produções baixas, estão a ser substituídos por enormes olivais e outros produtos de regadio. Um dos investimentos mais recentes é nos frutos secos. Já estão plantadas cerca de 2,5 mil hectares de amendoeiras.

Paulo M.Santos, Regresso à terra, Visão nº1257, de 06/04 a 12/04, pp.35-43

P.S. Portugal é o 1º produtor mundial de cortiça; o 3ª maior produtor do mundo de azeite; o 5º maior produtor de tomate e o 9º maior produtor de vinho. Os principais clientes de produtos agrícolas portugueses são Espanha, Brasil, França, Itália, Angola, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Polónia, Israel. Existem cerca de 400 mil agricultores, 60% dos quais acima de 65 anos.

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