quarta-feira, 26 de abril de 2017

"Portugalidade"


Em A obsessão da Portugalidade, Onésimo Teotónio Almeida em se detendo em Portugal, o medo de existir, de José Gil, retoma a questão de saber se o medo (de existir) é, propriamente, um legado do salazarismo (como lê em Gil), ou se, ao invés, como sugere, é este que se enxerta (responde) a um medo prévio, muito incrustado no nosso devir, de acordo com olhares, de estrangeiros, vindos a Portugal, sobre o nosso modo de habitar o mundo, descrito há já alguns séculos. Para Onésimo, é clara a razão de Eduardo Lourenço quando este refere que o problema português não é de identidade (nacional), mas de hiper-identidade, o que se constata pela produção ensaística exacerbada com o título Portugal, dos mais variados autores, provenientes das mais variadas àreas do conhecimento - que durante anos não terão dialogado entre si, nem encontrado uma linguagem comum -, contendo sucessivos diagnósticos e soluções para o país. A identidade (de um país) pode ser um tópico difícil de situar ou delimitar, de circunscrever, mas existe; todavia, não deve ser lida em chave essencialista (fundamentalista), como um conjunto de características de natureza imutável, indiferente às circunstâncias, determinista (e quiçá de índole metafísica). 
Entre a prodigiosa imaginação, ou a especulação não suficientemente densificada, sem olhar aos conhecimentos das ciências sociais, ou o positivismo triunfalista de alguns dos cultores destas (últimas), in medio virtus. Entre a benigna tradição e costumes muito nossos (Camilo) e a crítica ácida (Eça), assim caminhamos ainda por finais do séc.XX.

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