terça-feira, 18 de abril de 2017

"Ser humano era bom"

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(na foto, Neil Harbisson)

Há mais de 50 anos, dois cientistas cunharam o termo "ciborgue" para descrever um organismo imaginário - parte humana, parte máquina. Parecia ficção científica, mas hoje cerca de vinte mil pessoas têm implantes capazes de destrancar portas. Neil Harbisson só consegue distinguir cores se as transformar em sons audíveis através de uma antena implantada na sua cabeça (...) Kevin Warwick, professor jubilado de engenharia nas Universidades de Reading e de Coventry, foi o primeiro a implantar um dispositivo REID [identificação por radio-frequência] no corpo, em 1998. Contou-me que esta decisão foi um desenvolvimento natural do facto de trabalhar num edifício com fechaduras computorizadas e sensores automáticos de temperatura e iluminação. Queria ser tão inteligente como a estrutura que o albergava. "Ser humano era bom", disse Warwick a um jornal britânico em 2002. "Eu até gostava de algumas coisas. Mas ser um ciborgue oferece muito mais possibilidades". Outro grinder implantou um auscultador no ouvido e quer implantar um vibrador sob o osso púbico, ligando-se através da Internet a outras pessoas com implantes do género (...) Os capacetes de realidade virtual são um dos acessórios de jogo mais vendidos da actualidade. Os nossos automóveis são os nossos pés, as nossas calculadoras são a nossa mente e o Google é a nossa memória. As nossas vidas são agora apenas parcialmente biológicas, sem uma separação clara entre orgânico e tecnológico, entre carbono e silício. Podemos ainda não saber para onde vamos, mas já saímos de onde estávamos.

D.T.Max, Para além do humano, in National Geographic, nº193 (edição portuguesa), Abril, 2017, pp.2-25.

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