quarta-feira, 10 de maio de 2017

Exportações (II)


Com um peso bastante relevante de dez empresas nas exportações portuguesas, um problema com alguma delas traduz-se, imediatamente, num resultado económico (negativo) com significado (social). Um dos pontos a ter em conta na análise das exportações portuguesas, importando, ainda, verificar quem são estes grandes exportadores

Os números do INE apontam para o facto de existir uma grande concentração das exportações num núcleo reduzido de empresas. No entanto, tem havido uma erosão dessa predominância. Em 2005, por exemplo, e para exportações de 31,1 mil milhões de euros, as dez empresas mais exportadoras tinham uma quota de 21,2% do total e as «500 mais» chegavam aos 68,1%. Dez anos depois, em 2015, com as exportações a valerem quase 50 mil milhões, as «dez mais» ficavam nos 19,9% e as «500 mais» nos quase 65%. Para os mercados fora da União Europeia a concentração aumenta com as cinco maiores exportadoras a representarem 23% das vendas.
Esta concentração das exportações cria, por vezes, alguns sustos, como aconteceu com a falência da Qimonda, fabricante de componentes electrónicos (chips de memória), em Janeiro de 2009, e que em 2007 tinha exportado 1,6 mil milhões de euros. Curiosamente foi a empresa que recebeu mais incentivos entre 2000 e 2013 (...)
Desde 2009 a Galp Energia é líder do ranking das empresas exportadoras portuguesas, em resultado de investimentos feitos na modernização das refinarias de Sines e Matosinhos. E a partir de 2012 passou a exportar não só gasolina, como também gasóleo (...) A refinaria da Galp Energia em Sines é uma das maiores da Europa, com uma capacidade de destilação de 10,9 milhões de toneladas por ano, ou seja, 220 mil barris por dia. (...)
Traço dominante nas 10 maiores exportadoras de bens é o predomínio de multinacionais, com apenas duas empresas portuguesas: Galp Energia e The Navigator Company. Há duas empresas que foram criadas por empresários portugueses, a Tabaqueira, em 1927, por Alfredo da Silva, e a Siderurgia Nacional, em 1958, por António Champalimaud, e que depois de terem sido nacionalizadas e privatizadas passaram a ser detidas por multinacionais. (...)
A dimensão é um factor importante no grau de abertura ao exterior. Em 2013, apenas 4% das microempresas eram exportadoras, parcela que ascendia a 21% nas pequenas e médias empresas (PME) e 41% nas grandes empresas

Filipe S. Fernandes, Made in Portugal. Os exportadores portugueses, FFMS, 2017, pp.24-27.

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