segunda-feira, 8 de maio de 2017

Exportações


Entre 2008 e 2015 o peso das exportações no Produto Interno Bruto [português] cresceu 10 pontos percentuais, passando de 31% para 41%. Neste período houve forte crescimento das exportações em volume, com um aumento de 25 por cento no mesmo período, e ganhos de quota de mercado significativos em comparação com os restantes países da área do euro. (...) Entre 2005 e 2015 passou-se de 17315 empresas exportadoras de bens para 21749, tendo o pico sido atingido em 2014, com 22 456 empresas, segundo dados do INE. As exportações portuguesas atingiram sempre valores acima da taxa de crescimento das importações mundiais, aumentando a quota de Portugal no comércio mundial da generalidade dos produtos. (...)
De facto, «as empresas exportadoras portuguesas são diferentes das empresas que vendem exclusivamente para o mercado interno, designadamente pelo facto de serem maiores, mais produtivas, por praticarem salários médios mais altos e por apresentarem um rácio de capital por trabalhador mais elevado», escrevem João Amador e Manuel Caldeira Cabral (...)
Numa década o turismo duplicou a sua importância no PIB, que anda agora na ordem dos 8,2%, e fez com que as exportações de serviços duplicassem o seu peso no PIB e passassem de 10 250 milhões de euros em 2005 para 20130 milhões de euros em 2015. Entre 2010-2014, as receitas turísticas internacionais cresceram uma média anual de 8,2% em Portugal, um desempenho que superou a concorrência espanhola (4,5%), mediterrânica e europeia (5,4%) e mundial (6,5%).
Lisboa vive uma agitação e uma pressão imobiliárias a que já não estava habituada, multiplicaram-se os hotéis, tendo aberto 19 em 2015 (...) Mas a capital portuguesa ainda só recebe cerca de 3,5 milhões de turistas, metade dos que demandam Barcelona (...) As exportações portuguesas de calçado aumentaram mais de 50% nos últimos seis anos, tendo atingido em 2015 um novo máximo histórico - 1,865 mil milhões de euros, mais 1% do que no ano anterior.
É uma história em que se reúnem fundos comunitários com empresas, todas PME, ao contrário do têxtil e vestuário que na época também enlanguescia, com universidades, centros tecnológicos, associações empresariais para traçar uma estratégia comum e com o objectivo de tornar a fileira portuguesa do calçado a mais moderna do mundo no fabrico de calçado de couro. O programa «A fábrica do Futuro» foi lançado em 1994 e implementado até 2006.

Filipe S. Fernandes, Made in Portugal. Os exportadores portugueses, FFMS, 2017, pp.7-17

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