segunda-feira, 15 de maio de 2017

Hoje por hoje


O erro fatal [de Passos Coelho] foi o de não só considerar que o castigo era bom para Portugal como a austeridade era necessária para purificar os pecados dos portugueses a viverem acima das suas possibilidades. Sabemos agora, por algumas investigações criminais, quem é que andava a viver acima das suas possibilidades, e não eram os portugueses. (...) o "país das cigarras" não era o dos pequenos funcionários públicos ou dos detentores de benefícios sociais como o rendimento mínimo. O país das cigarras era o dos banqueiros insolventes e falidos e dos altos quadros políticos do Estado sufragados pelo partido ou a nomeação. (...) Passos Coelho ficou para a história como o rosto severo dos anos da crise, da miséria e da perda de soberania (...) Os portugueses não esqueceram. Nem toda a gente morre de amores por Costa e amigos, mas não esqueceram.

Clara Ferreira Alves, O suicídio do PSD, in E - A revista do Expresso, nº2324, 13 de Maio de 2017, p.3. 

P.S.: considerar, diariamente, que tudo o que corre bem ao país é da responsabilidade do anterior governo, e tudo o que corre mal é da responsabilidade deste parece-me uma estratégia infantil, tal o maniqueísmo que encerra. Em qualquer dos casos, a volatilidade internacional é tal que dar por garantidos, hoje, e mau grado as sondagens, os resultados de 2019 parece-me, claramente, exagerado.

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