quinta-feira, 1 de junho de 2017

Fé e vida



Ainda a partir de Salmann, José Frazão fala da "correia" (da bicicleta) que se partiu, deixando as duas rodas de funcionar com a harmonia de outrora: "no tempo do meu avô", as pessoas "trabalhavam durante a semana", "à noite rezava-se o terço", ao "Domingo ia-se à missa, à tarde ia-se ao terço", quando se passava diante da Igreja "tirava-se o chapéu", procurava-se "ter uma moral" que correspondia a "uma compreensão da fé", durante os dias "aceitava-se os sofrimentos porque isso seria o que estaria nos planos de Deus", "se acontecia uma morte prematura, paciência, é a vontade de Deus" e, portanto, "a fé era celebrada na vida" e a "vida era celebrada na fé". Tudo funcionava. Esta ligação rompeu-se, em grande medida. E, de fora da Igreja, a fé pode ser percepcionada como irrelevante. Mesmo no interior da ecclesia, "também temos dificuldade em trazer para o espaço da celebração a vida como ela é - não como gostaríamos que ela fosse, ou como o catecismo diz que ela dizia ser". Uma linguagem, uma piedade, um conjunto de práticas que têm que ser repensadas. 
Creio que, em sintonia com o que outros teólogos, aqui se pergunta, radicalmente, o que vai ficar (o que temos que salvar, e o que já não tem pertinência) de toda uma Tradição, a recusa de cingir o cristianismo a uma moral, e o que podemos intuir de gestos de mudança, de um acolhimento/hospitalidade sempre crescentes de um outro jesuíta na cátedra de São Pedro, a partir da central da categoria de "misericórdia".

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