domingo, 18 de junho de 2017

Igualdade nas Orquestras

Resultado de imagem para mulher a tocar bateria

No mais recente número da XXI. Ter opinião, dedicado à Igualdade e tendo por directora Bárbara Reis, Pedro Boleó conta que as primeiras "audições às cegas" (blind auditions) nas orquestras - aquelas audições que se realizam atrás de um pano ou de uma tela, porque o que interessa é ouvir a música, mais do que saber o sexo, a cor da pele, o aspecto da pessoa, a origem escolar dos candidatos - aconteceram, pela primeira vez, em 1952, pela Boston Symphony Orchestra, ainda que apenas em 1970 se tenha estendido a outras orquestras. "Na primeira metade do século XX, as grandes orquestras de todo o mundo eram, com poucas excepções, compostas quase exclusivamente por homens. Em raros casos, o número de mulheres chegava aos 5% no total de intérpretes de uma orquestra sinfónica com cerca de 100 elementos". Depois, as coisas mudaram, com a feminização do trabalho, a entrada das mulheres em campos de atividade que lhe eram habitualmente vedados, direito à educação, ao voto, etc. Ainda assim, a importância das audições às cegas para que mais mulheres passassem a integrar orquestras não deve ser negligenciada: "um estudo extremamente interessante de Claudia Goldin e Cecilia Rouse, publicado em 1997 pelo National Bureau of Economic Research, mostrou "a partir de dados sobre os músicos das orquestras, que a mudança para audições cegas pode explicar entre 25% a 46% do aumento na percentagem de elementos femininos nas orquestras desde 1970". O certo, em todo o caso, é que a diferença ainda se encontra latente numa espécie de código para certos instrumentos musicais: "encontramos, apesar de tudo, em muitas grandes orquestras mundiais, mulheres que tocam contrabaixo, trombone, trompa ou tuba, instrumentos em que é muito mais raro encontrar instrumentistas do sexo feminino. Se nas cordas (com excepção do contrabaixo) a igualdade parece já não encontrar freios nem grandes preconceitos, e nas madeiras há até posições ocupadas maioritariamente por mulheres (as flautas seriam um bom exemplo), os metais e as percussões continuam a ser instrumentos com poucas mulheres". 
Há, com efeito, casos de maior resistência às audições às cegas e de integração de mulheres no interior das orquestras. A Filarmónica de Viena será o caso mais conhecido: só integrou mulheres em 1997 e em 2013 tinha apenas seis. Em Portugal, há orquestras que realizam audições às cegas, como é o caso da Orquestra Gulbenkian, que as pratica nas duas primeiras fases do concurso (das três que realiza) para integrar um naipe orquestral.

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