domingo, 25 de junho de 2017

O procedimento, nos exames


Actualmente, nos exames de Português, pelo menos no 9º ano, a prova inicia-se com um aúdio escutado pelos alunos. Os alunos têm que estar concentrados, escutar bem, procurar compreender, para depois responderem - nomeadamente, em questões de escolha múltipla -, acerca do que acabaram de ouvir. Em termos logísticos, o Ministério da Educação envia o ficheiro aúdio; alguém do Secretariado vai às salas, onde os exames decorrerão, colocar no "ambiente de trabalho" do computador (dessa sala) o ficheiro aúdio; assim que o tempo da prova começa a contar, faz-se play e os alunos escutam (o som, mesmo numa sala ampla, está perfeito). Este ano, o aúdio foi de uma edição do programa "O livro do dia", da responsabilidade de Carlos Vaz Marques, da TSF. Passa uma vez, depois há uma outra voz (grande irmão) que dá instruções - "agora, têm 4 minutos para resolver as questões do Grupo I" - e, dali a um pedaço, a voz de Vaz Marques regressa para uma segunda audição daquela mesma edição do programa da TSF.

Como o Público tem, como em anos anteriores, um diário de uma aluna do Secundário, sobre este período de (estudo para os) exames, achei curioso o que ela escreveu, anteontem, sobre as centenas de voltas que os professores vigilantes deram durante a prova que a adolescente realizara (e dei por boa a opção que fiz de não andar "sala acima, sala abaixo"). E acho mais do que compreensível a ironia de que usa para se referir à fuga de informação no exame de Português, que irá gerar o caos no sistema, seja qual for a decisão a adoptar quanto à repetição da prova (o mal está feito e não vejo maneira de conseguir torná-lo indemne). 

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