quarta-feira, 28 de junho de 2017

"Onde estão os novos empregos?"

Resultado de imagem para informático


"É nas engenharias informáticas que haverá mais emprego", afirma, convicta Vânia Neto, responsável da Microsoft Portugal pela área da educação, concretizando: "Tudo o que tem a ver com a cloud; com a análise de dados, ou seja, a ciência da big data; com a criação na área da internet das coisas (sensores biométricos nos equipamentos, por exemplo); com o design de jogos e o webdesign; com a transcrição de voz; com a cibersegurança..."
O que queres ser quando fores grande? Há 20 anos, ninguém responderia "programador de Android ou de IOS". IO...quê? Hoje, muitos sonham com um emprego numa Google, numa Apple ou numa Microsoft. O que é preciso ter para lá chegar? Não basta o curso superior...
"As grandes competências do século XXI são o pensamento crítico; a capacidade de colaboração, de trabalhar em equipa; e a capacidade de resolver problemas com base na informação disponível", continua Vânia Neto. "Isso as máquinas nunca vão poder fazer - inovar e criar".
Segundo o guia do mercado laboral da consultora Hays, relativo a Portugal, 79% das empresas consultadas dizem ter dificuldade em recrutar talentos. "Os profissionais das Tecnologias da Informação sabem o seu valor no mercado e colocam o factor salarial, a par da inovação nos projectos, como um dos principais elementos diferenciadores num processo de decisão entre diferentes ofertas de emprego", refere o estudo, que aponta as profissões mais solicitadas: programador; web developer; mobile developer; especialista em integração; administração de sistemas; especialista em business intelligence; data scientist, especialista em big data...
Segundo o mesmo documento, um programador ou um analista em início de profissão ganha, em média, €24500 por ano (€1750 por mês); com três a cinco anos de experiência aufere €35000 (€2500); e com mais de cinco anos de profissão recebe €50000 (€3571). São estes "salários baixos", ou pelo menos "competitivos" que têm atraído ao nosso país algumas multinacionais, que aqui instalam os seus centros de engenharias. Como está a fazer o Natixis, que encontrámos a recrutar candidatos no Landing careers Festival, o maior festival de carreiras em tecnologia da Europa, que este mês recebeu, em Lisboa, 1500 visitantes, na maioria estrangeiros, 60 empresas como a Google, Trivago, OLX, Farfetech, Microsoft, entre outras.
Depois da Polónia, Roménia e Espanha, o banco francês de investimento vai transferir para Portugal uma parte das actividades informáticas, criando 600 postos de trabalho no Porto, ao longo dos próximos três anos. O Natixis explica a escolha de Portugal pelos "salários competitivos", as "competências linguísticas e técnicas" dos profissionais e a oferta de imóveis. Para Philippe Becret, responsável pelo expositor do banco na feira, interessam os "falantes de francês", com "boas competências técnicas", para trabalharem nas áreas de IT banking, investment banking, insurance, etc. (...)
"Vivemos numa época em que um bom curso universitário não é suficiente para se conseguir muitos dos empregos que se veem ser publicados diariamente. E isto não se passa apenas em Portugal. O foco das entrevistas de emprego é cada vez mais avaliar capacidade de raciocínio, de solucionar problemas sobre pressão ou de comunicar com clareza e assertividade. Apesar de ser um factor relevante, essencialmente nos primeiros anos de carreira, nunca me perguntaram qual a minha nota do mestrado em nenhuma entrevista de emprego que fiz até hoje", refere [David Bento, 26 anos, analista de estratégia operacional da Deliveroo, em Londres].
David Bento diz mais: "Quem trabalha na indústria tecnológica encontra-se actualmente numa posição muito favorável relativamente à procura de emprego". Esta ideia é reforçada por Tatiana Fomicheva, consultora de recrutamento na Hays (...): "Estes candidatos beneficiam de 100% de empregabilidade, independentemente de terem formação superior, da universidade de onde vêm ou da linguagem/ferramentas com que trabalham. Isto faz com que não necessitem de procurar emprego, e sejam os empregadores a tentar aliciá-los com condições mais atraentes (...) São o tipo de talentos que, caso se sintam insatisfeitos, têm sempre muitas oportunidades para mudar, pelo que é extremamente importante existir um acompanhamento e desenvolvimento interno das suas carreiras por parte das empresas". (...)
Este engenheiro informático [Miguel Valente, da Microsoft] (...) deixa um conselho aos jovens à procura de emprego: "Ao invés de assumir que basta enviar um CV para a empresa, procurar activamente pelas vagas que encaixam no nosso perfil - e nas nossas ambições de desenvolvimento a nível profissional, mas também a nível pessoal (experiência profissional, culturas a conhecer...). Depois de as encontrar, desenvolver uma estratégia de 'ataque' às vagas - percebendo o que é procurado, quem é a equipa e a empresa, como podemos estabelecer o primeiro contacto, fazer o que chamamos os 'informational calls' (para saber mais sobre a empresa, equipa, objectivos, definição da vaga). E, finalmente, preparar muito bem as entrevistas".
A criatividade é a grande mais-valia. Não basta estar dentro do mundo digital; é preciso saber usar os equipamentos para a criação e não se limitar a ser um consumidor. "Quem está agora a estudar, provavelmente vai ter um emprego no futuro que hoje em dia nem sonhamos que virá a existir. E, no entanto, aqui temos estes alunos do século XXI, em instituições quase do século XIX, a serem educados por professores do século XX...", diz Vânia Neto, da Microsoft. Dá que pensar. 

Alexandra Correia e Clara Teixeira, Onde estão os novos empregos, Visão nº1268, de 22-06 a 28-06 de 2017 pp.67-71.

P.S.: na peça da Visão, escreve-se que para os Millenials "passar a vida no escritório, como fazem os seus pais, não é para eles" e entre as suas pretensões encontra-se a criatividade - ter liberdade para sugerir novas ferramentas ou tecnologias -, teletrabalho - a partir de casa e, por vezes, de outra cidade do país, experiência - de preferência com um período fora do país, ambiente informal - o tempo das gravatas no escritório está a chegar ao fim -, benefícios - um bom salário não chega. São valorizados o seguro de saúde, a formação, o ginásio, etc. -, horários - de novo, a procura pela flexibilidade e a recusa do horário rígido das 9h às 17h, podendo, assim, as empresas, para recrutar talentos, oferecer formação - na Dreamworks, por exemplo, é possível, nas horas de trabalho, frequentar aulas de fotografia, pintura, cinema, karaté -, ou avaliação por objectivos e não pela presença das 9h às 17h. 

Sem comentários:

Enviar um comentário