terça-feira, 18 de julho de 2017

A Europa e o Cristianismo


Se, em 1931, no seu regresso de uma estadia prolongada nos Estados Unidos, o teólogo protestante Dietrich Bonhoeffer considerava que na Europa se havia já dado "a grande morte do cristianismo", em sentido contrário Jurgen Habermas, filósofo ateu, em Israel ou Atenas, assinala que a solução para a Europa, culturalmente monoteísta e prevalentemente cristã, não lhe pode ser exógena:

O cristianismo representa para a auto-compreensão normativa da Modernidade não apenas uma forma precursora ou um catalisador. O universalismo igualitário, do qual procedem as ideias de liberdade e convivência solidária, assim como as formas de vida autónoma e emancipação moral da consciência individual, direitos humanos e democracia, é, diretamente, uma herança da ética judia de justiça e da ética cristã do amor. Inalterada na sua substância, esta herança foi assimilada sucessivamente de maneira crítica e interpretada de novo. Qualquer outra coisa seria palavreado pós-moderno. (p.185)

Contudo, evidentemente, sendo ateu, Habermas, valorizando este património cultural, renuncia à "herança escatológica" do cristianismo. E, para o teólogo protestante Karl Barth, "um cristianismo que não seja escatologia deixaria de ser cristianismo".

[a partir de Manuel Fraijó, Avatares de la creencia in Dios, Trotta, 2016, pp.122-124]

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