sexta-feira, 28 de julho de 2017

Desleixo relativo à cultura


Hoje, passados 20 anos, uma política pública de cultura tem de ser algo completamente diferente do que se pensou em 1995 e fez nos cinco anos seguintes. O problema é que se destruíram as bases essenciais para que se possa fazer o que quer que seja...(...)
Basta olhar para Lisboa, toda a gente fala do boom no turismo, mas não vejo uma única realização cultural ligada a esse boom. Tenho muitos amigos estrangeiros, alguns até compraram cá casa, que me dizem: «Isto tem sol, isto é bonito, a cidade emana uma nostalgia particular, tudo isso é verdade, mas não há espectáculos, não há ópera, não há exposições, os museus estão numas condições deploráveis, não há um só festival musical de referência...». Ora, como é que, assim, se vai fidelizar este fluxo turístico? Só com sol?...Duvido muito. (...)
Eu não me lembro, por exemplo, de ter havido, nos últimos dez, 15 anos, um único debate no parlamento sobre cultura.

Manuel Maria Carrilho, entrevistado por José Jorge Letria, no livro Ser contemporâneo do seu tempo, Guerra e Paz, Lisboa, 2017, pp. 84 e 88.

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