sábado, 22 de julho de 2017

O FCP pelo México


Da Gira Mexicana - combinada com os relatos mais plausíveis dos dois jogos realizados pelo FCP à porta fechada -, podem, por ora, assinalar-se os seguintes factos na era Sérgio Conceição, como treinador do FCPorto:

a) a equipa jogou sempre com a mesma linha defensiva titular: Casillas, Ricardo, Felipe, Marcano, Alex Telles;
b) a equipa jogou sempre, no início de cada encontro, em 4x4x2 (ora com uma dupla que incluía Octávio como segundo ponta de lança, ora com uma dupla Soares/Aboubakar);
c) a equipa produziu, em média, bastantes mais remates, fora da área, do que a média em jogos da época passada;
d) a equipa quis produzir, sempre, uma pressão muito alta, à saída de bola no último reduto contrário;
e) a equipa quis ser muito objectiva, rápida - poucos toques - a chegar à baliza contrária.

E apreciações de valor, deste adepto sobre o que viu:

i) frente ao Chivas, uma equipa mais alegre do que tem sido norma ao longo das últimas temporadas;

ii) um modelo de pressão que será extremamente desgastante do ponto de vista físico, suponho;

iii) a acentuação da dimensão física, pelo treinador, nas declarações produzidas, em especial na entrevista à Dragões/Porto Canal: há anos que não ouvia falar de 2/3 treinos dia, incluindo às 7h30 da manhã, e com, a crer nos relatos, separação entre o físico e restantes dimensões (continuam a faltar comentadores especializados para ajudar a ler tais concepções de treino; muitos caminhos podem ir dar a Roma, mas era interessante, precisamente, mostrá-los e avaliá-los criticamente);

iv) sendo, de longe, o melhor médio defensivo e um dos melhores jogadores do plantel, Danilo, num esquema de duplo pivot, em que os dois médios-centro têm que se deslocar muitas vezes da sua posição, nem será, porventura, o jogador mais propício a esse registo (nem existe, propriamente, esse jogador, creio, no plantel, pese, frente a este adversário mexicano, André André ter estado bem; durante a época, no entanto, a intensidade do seu jogo é baixa e insuficiente para o FCP);

v) o onze do FCP, se individualmente fosse possível de avaliar uma equipa - e não o é, porque cada um rende de modo diferenciado em função do que é a ideia de jogo e o colectivo - dir-se-ia que, sem saídas, é melhor do que o do ano passado: Ricardo, uma das minhas dúvidas, parece ter chegado, de facto, outro jogador e com grande confiança e, em assim sendo, é manifestamente melhor do que Maxi Pereira, enquanto considero que Aboubakar é mais efectivo do que André Silva

vi) recordo-me suficientemente bem do que eram os piques de Bosingwa pelo lado direito da defesa e ataque do FCP para saber que, em muitos jogos, era o grande factor de desequilíbrio do FCP e, deste modo, para pensar como muito importante a profundidade que, em ficando no plantel, Ricardo Pereira pode oferecer;

vii) Corona foi inexistente durante os dois jogos do FCP no México, isto, e ainda, na sequência dos "problemas familiares" que alegou para pedir dispensa da sua selecção na Taça das Confederações; 

viii) José Sá continua a sair mal da baliza. Ocorreu em ambos os encontros mexicanos. Só muita complacência na crítica jornalística "especializada" justificam o não apontar dessa debilidade. Por muito importante que seja o jogo comunicacional - José Já como capa da Dragões, quando se previa que Casillas viesse a sair -, mais importante é a realidade dos factos: se Casillas é caro, é caso para perguntar quanto custariam/custarão os erros (e pontos perdidos) com Sá na baliza?

ix) não tendo estado mal, tenho a maior das dúvidas sobre se Octávio tem a pedalada/ritmo/intensidade necessárias para uma equipa como o FCP, e se algum dia será um bom segundo avançado;

x) para a posição mais recuada do duplo pivot, parecia ser necessário um "6,5" - da mesma maneira que se falava do "9,5" para um híbrido entre o ponta de lança e o médio ofensivo, aquela categoria de não matadores, com certa técnica, mas que não eram propriamente um 10: os Nunos Gomes, os Hélderes Postigas..., aqui poderia falar-se de um híbrido entre o "6" e o "8" -, pelo que menos ainda se compreende a saída de Rúben Neves, provavelmente dos jogadores portugueses mais habilitados para essas funções;

xi) Oliver fez uma meia hora de luxo frente ao Chivas. Com a bola nos pés, entre os três melhores do plantel (dizer-se, como escutei a comentadores televisivos, que jogou melhor neste encontro do que em toda a época passada é uma hipérbole que esquece, só para dar o exemplo mais conhecido, o jogaço que fez no Dragão frente aos encarnados); 

xii) em 4x4x2, fosse pela fase da pré-época e pela forma ainda pouco conseguida dos extremos, faltou a profundidade pelas laterais - excepção aos defesas laterais - que se pedia. O treinador já tinha dito à Dragões que não teríamos um esquema de 4x3x3, o que não inibiu Pedro Azevedo, na sic notícias - mesmo após os mais convincentes relatos do que havia sido o Académica-FCP e Rio Ave-FCP à porta fechada - de dizer que "Sérgio Conceição joga sempre em 4x3x3", ou Rui Braz de dizer que frente ao Cruz Azul "o FCP começou em 4x3x3". 

xiii) Hernâni voltou a falhar na definição dos lances, aspecto em que esteve infeliz. Segundo Cândido Costa, no Porto Canal, tal deveu-se ao cansaço, dada a "altura" do estádio do Cruz Azul, a fase da época, etc. Eu, ao invés, penso que é bem mais o aspecto estrutural que aqui prepondera: Hernâni, seja no passe, seja no remate tende, há anos, a falhar e, por isso, a não se transformar num grande jogador que as suas características de velocidade de ponta poderiam fazer emergir;

xiv) a principal decepção, para mim, foi Galeno, pois tinha expectativa, face ao que vira do jogador na equipa B. O jogador mostrou-se sempre algo trapalhão e ansioso, nunca concluindo bem os lances de maior perigo que teve nos pés. Sendo, a meu ver, um extremo, que joga bem, sobretudo, no espaço, julgo que a sua posição de segundo avançado não o favoreceu. Mas pareceu muito traído pelos nervos, também;

xv) Sérgio Oliveira é o jogador que melhor remata fora da área e marca livres no FCP (aflitivo Alex Telles, sem nunca conseguir marcar um golo, marcar todos os livres perigosos do FCP). Mas a intensidade de jogo nunca costuma acompanhar. Poderia ser um caso - mais um desejo do que uma convicção, no entanto - em que Conceição poderia procurar mudar o chip de um jogador. Porque é boa a intenção de Conceição de colocar a equipa a rematar mais de média distância. Mas não há quem. Oliveira, se tivéssemos uma regra para o futebol como a que há no andebol para os guarda-redes poderem entrar "só" para defenderem livres de 7 metros, poderia ter uma redobrada importância no plantel;

xvi) quem também desiludiu um tanto, para mim, foi Rafa Soares. O lateral esquerdo, a defender, expõe-se permanentemente. Muitas bolas são colocadas nas suas costas, sem que tenha conseguido apanhar o extremo contrário (de aí, aliás, chegou o 2-2 frente ao Cruz Azul). Tem um óptimo pé esquerdo, cruza e remata muito melhor do que Alex Telles - mas não pode ter esta ingenuidade a defender (pois a sua missão primeira é essa). Não sei se tem lugar garantido no plantel. E, nesse sentido, Layun pode vir a ser importante. Layun que não foi uma grande aposta de Conceição nestes primeiros tempos e surge como joker para três posições: lateral direito, extremo direito, lateral esquerdo. De algum modo, o mesmo poderia, ainda, ser aplicável a Ricardo Pereira. Em jogos mais fechados, não me admirará ver uma dupla, à direita, formada por Maxi e Ricardo (mesmo que não seja da minha predilecção tal escolha);

xvii) há uma falta, recente, de cultura de vitórias que transforma vitórias óbvias em empates. O resultado normal frente ao Chivas seria 3-0; o jogo terminou em 2-2. Este, a questão da cultura de vitórias e de confiança, um aspecto fulcral que explica porque, mau grado o modo, conhecido e referendado em conhecidas sondagens, como o clube da luz ganhou sucessivos campeonatos, parte na pole position para mais uma edição da liga portuguesa de futebol; 

xviii) Conceição não deve colocar-se a jeito, desde o minuto zero da época, para os Tiagos Antunes o expulsarem permanentemente do banco e criarem com ele conflitos. Esteve mal nos protestos no jogo com o Chivas - um bom motivo para não permitir que os jogadores se desconcentrem do jogo - e em não jogar os penalties;

xix) a proposta de jogo de Conceição, pelo menos na primeira parte frente ao Chivas, é positiva e deixa expectativa para confirmação em próximos encontros.

P.S.: Não, não foi uma injustiça, como Rui Braz sugere tantas vezes, Soares ter chegado e tirado o lugar a André Silva na época passada. Em primeiro lugar, porque Soares veio dada a falta de eficácia revelada, em muitos jogos, por A.Silva; depois, porque André Silva continuou a jogar com Soares; em terceiro lugar, só o decréscimo de qualidade de jogo de André Silva, mesmo com Soares, o remeteu para o banco.
Hoje, num particular frente ao Bayern, um miúdo de 19 anos do Milan, chamado Crotone, marcou 2 golos (na vitória por 4-0). André Silva entrou na segunda parte e, nas ocasiões que teve, rematou mal, uma das lacunas evidenciadas, de resto, ao serviço do FCP. Veremos quantos golos alcança ao longo da época na liga italiana e em quantos será titular.

P.S.1: ouvi Manuel dos Santos, fazendo zapping nos duelos da sptv+, dizer que "Carolina Salgado agora não tem credibilidade, mas antes tinha credibilidade até para ir ao Papa". O Conselho de Justiça, da FPF, numa decisão unânime dos 7 elementos que o compõem, decidiu, segundo pude ler na nossa imprensa, que o testemunho de Carolina Salgado carecia de credibilidade, na medida em que acerca de um mesmo facto apresentara diferentes versões, contraditórias entre si, para além de uma motivação de mágoa, para com o acusado, no seu depoimento não poder estar excluída, em virtude de questões pessoais entre ambos. Foi isto. Não fez, creio, nem poderia fazer alegações de carácter - com base no que terá sido o percurso de vida de Carolina Salgado, como insinuado por Manuel dos Santos - o Conselho de Justiça, como se alguém pudesse andar com um ferrete na testa por qualquer passado, e como se houvesse um conjunto de justiceiros com a legitimidade de lhe atirar com pedras (muito pouco cristãmente, já agora). Ao levar Carolina Salgado ao Vaticano, Pinto da Costa disse-lhe "tu és" ("não importa o que fizeste ou deixaste de fazer, não importa o que digam"), talvez num dos gestos públicos mais elevados que se lhe conheceu. Quem estiver isento de pecado que atire a primeira pedra (ou, no entender de Manuel dos Santos, que nunca entre no Vaticano). Então quem poderia atirar a pedra (ou entrar no Vaticano)? Infelizmente, a ordinarice dos comentários de Manuel dos Santos, junto à mais baixa das demagogias, não se esgota na política. 

P.S.2: apesar de amigável, foi uma grande primeira parte, aquela que opôs Man.Utd e Man.City, esta semana nos EUA, ficando na retina a exibição do menino, de 17 anos, Foden.

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