sábado, 22 de julho de 2017

Pormenores


Leio no editorial de Eduardo Dâmaso, na Sábado, da semana passada, que a lei portuguesa, relativa à questão da responsabilidade dos titulares de cargos políticos que pune o recebimento indevido de vantagem, chamada à colação em virtude da relação entre os secretários de estado e a Galp, no caso dos bilhetes para o Europeu de Futebol de 2016, tinha sido alterada com inspiração na lei alemã, "onde tudo começou...por causa de umas ofertas de bilhetinhos para jogos do Mundial de 2006". Na mesma edição daquela newsmagazine, fica a saber-se que não houve apenas bilhetes oferecidos pela Galp; houve, ainda, bilhetes e refeições solicitadas (por quem veio a obtê-las) à Galp, o que não será exatamente a mesma coisa do que o sucedido com outros casos aparentemente análogos. Talvez também por estes, ou outros pormenores menos conhecidos, sensato seria que representantes do poder legislativo evitassem pronunciamentos muito peremptórios sobre tais matérias, e, nesse contexto, surgem como deslocadas as afirmações do Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, sobre o problema em causa.

P.S.: nesta edição da Sábado, ficaram a conhecer-se partes do depoimento de José Maria Ricciardi em tribunal, sendo que, de entre o publicado de tais afirmações, é muito curiosa a conversa com que aquele diz ter mantido com Passos Coelho (na qual este teria dito a Ricciardi que o Ricardo Salgado o ameaçava, dizendo ter dossier de um ministro importante do então seu governo e que poderia levar à demissão do mesmo, ao que Passos teria respondido "se é o que eu estou a pensar, não me importo" e Ricciardi insinuou ser referência a Paulo Portas - no que seria a enésima confirmação do dito churchlliano sobre a diferença entre "adversários" e "inimigos" e onde ambos se situam; todavia, Passos demarca-se de tal afirmação e Portas diz-se indiferente a rumores), bem como a sugestão, feita, em tribunal, de que Manuel Pinho seria uma sugestão, para o Governo, feita por Salgado, segundo aquele sempre íntimo de José Sócrates (algo que os principais protagonistas negam). Portas confirmou ter estado reunido com Salgado, no BES, nos dias seguintes ao anúncio da "demissão irrevogável", mas regista que tal foi público e notório e que se enquadrou num vasto conjunto de encontros com diferentes personalidades, de diversos meios, entre os quais o financeiro.

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