terça-feira, 25 de julho de 2017

Puro


Ler: Não queria muito ir por aí, mas tenho de falar dos livros de Elena Ferrante porque abordam o tema da infância e da amizade, neste caso, entre raparigas. E há nessa relação uma grande rivalidade e aqui, entre Pietro e Bruno, nunca se sente a mesma rivalidade violenta, uma luta. Será por serem dois personagens tão diferentes?

Paolo Cognetti: Não quero dizer nada que seja machista, mas acho que nas amizades entre raparigas há sempre grande rivalidade, inveja de alguma coisa, há sempre um ponto em que acontece alguma coisa. E vejo a amizade masculina como algo verdadeiramente puro. Talvez seja uma ilusão, talvez não seja real. Mas sinto que há uma lealdade profunda entre Pietro e Bruno, algo que se quebra quando entra uma mulher em cena. Para esta história, imaginei este momento em que a mulher aparece e cria um momento difícil entre os dois amigos.

Paolo Cognetti, entrevistado por Bruno Vieira AmaralLer nº.146, Verão 2017, Vejo a amizade masculina como algo verdadeiramente puro, pp.46-47.

Sem comentários:

Enviar um comentário